‘ok, slow dance.. slow dance to this part.’

janeiro 28, 2012

Sabe aquele dia de pensar que a gente já disse besteira demais um pro outro, brigou demais, e concluir que já passamos tempo demais afastados? Aquele dia de pensar que tudo que é ruim ficou pra trás, a gente mudou, e sente falta um do outro? Que tá na hora de deixar de bobagem e ficar junto de vez?

‘Fica mais um pouco aqui comigo.’
‘Tá bem, eu fico mais um pouquinho.’
‘Porque tu não fica pra sempre?’

Pois é. Nunca chega.

Pra ouvir gente bêbada, o negócio é tar bêbado. Porque, daí, a gente não lembra depois.
Faz de conta que não foi da boca pra fora. 

E faz de conta que não era tudo que a gente mais queria ouvir no mundo.


l: ryan gosling – you always hurt the ones you love.


instant karma is gonna get you.

dezembro 6, 2011

Começou como uma mentirinha, mas tomou proporções épicas.

..

Somatizei um nó no estômago como dor epigástrica e fiz disso desculpa pra sair mais cedo de uma festa no final de semana.
Acontece. Quem nunca, né amigo?

(Em minha defesa: por motivos nobres, juro. Nem dá pra dizer que foi carma.)

..

Domingo de tarde, após me trancar num quarto escuro e almoçar uns pastéis, a tal dor epigástrica, realmente, ‘voltou’. Forte, como nunca tinha sentido. Me revirava de dor, rolava pra um lado e pro outro na cama, e nada. Passava um pouco, e voltava mais intensa. Só o que me aliviava era ficar encolhidinho, que nem bolinha, na cama. Quietinho. E olhe lá.

‘Pronto, gastroenterite. Valeu, George.’, pensei.

Mas e os tais vômitos e diarréia, que não vinham?

Enfim, achei que ia passar sozinho. Nada que um Buscopan Composto, Domperidona, Metoclopramida, e uns filminhos não vão dar conta.

Dez horas de dor abdominal FORTE, e nada.

Até liguei pra pastelaria, pra perguntar se alguém mais tinha ligado com as mesmas queixas. Juro. E, claro, a resposta foi um ‘não’ – conforme meu cirurgião assistente me diria depois, ‘Thiago, a intenção foi nobre, e muito bem pensada – mas a pastelaria NUNCA admitiria que algum outro cliente teve as mesmas queixas que tu, pra culpa ser deles!’

Onze horas, desliguei a tv e fui tentar dormir. Mas nada de achar posição. E, entre uma rolada e outra, toca o telefone. Mamãe.

‘Que voz é essa, filhinho?’
‘Ah, mãe, tou com umas cólicas desde hoje mais cedo.’
‘Desde que horas, meu filho?’
‘Ih, umas duas horas depois do almoço, mãe.. deve ter sido alguma coisa que eu comi.’
‘O que que tu comeu, filho?’
‘Uns pastéis. Mas fica tranquila, mãe, se eu deito quietinho a dor melhora um pouco.
‘Quietinho em.. posição genupeitoral, Thiago?’

As palavras ‘posição genupeitoral’ vieram pelo outro lado da linha telefônica em itálico mesmo, assim como eu escrevi. E a pausa dramática, das reticências, também tava lá, confiem em mim.

(e a progressão de ‘filhinho’ pra ‘Thiago’ é sinal que a minha mãe foi ficando mais séria no telefone, pra quem não conhece)

Pra quem não sabe, a posição genupeitoral, ou prece maometana, é o ‘encolhidinho que nem bolinha’ que a gente usa quando tá se sentindo doente e quer parecer fofinho.

Já comentei que mamãe é gastroenterologista e cirurgiã geral?

Pois é. E o diagnóstico telefônico dela me gerou outro desconforto epigástrico, bem mais agudo – o da falha de diagnóstico próprio.

É CLARO, taipa. Como eu não percebi antes? Dor epigástrica em cólica, sem irradiação, após refeição gordurosa, com alívio genupeitoral..  obstrução de via biliar, Thiagão.

‘Não, mãe, mas fica tranquila. Não tive febre nem nada. se a coisa continuar de manhã, eu vou consultar na emergência.’

E, de novo, paguei pela boca.
Rolei de suor e febre a noite inteira na cama. Delirando.

..

Segunda-feira, ainda mal, resolvi ir consultar na emergência. Eco pra cá,  laboratórios pra lá. Vesícula sem cálculos. E o apêndice, cadê? E esse líquido livre na cavidade abdominal, como se explica?

‘Thiago, acho que é melhor a gente te pedir uma tomografia de abdome e te manter internado.’

Legal de médico internado é que sempre tem algum colega de plantão pra descobrir a tua internação imediatamente. E, no meu caso, foram ainda dois. Emergencistas, ainda, lá do HPS – que foi justamente onde eu me formei em Cirurgia Geral. Só pra ter aquele charme clínico de fazer piadinha sobre dor abdominal com um cirurgião.. pra ele ficar APAVORADO.

Tomo sem alterações. Apêndice bonitão, comprido, posição medial – só pra ficar escondidinho do ecógrafo, e obrigar o médico assistente a pedir uma TC. E, com ela, a agradável sensação de quentinho e morte iminente que só um contraste endovenoso pode te proporcionar.

O cirurgião que me avaliou achou melhor me liberar pra casa. Realmente, a dor tinha passado. Chá de cama, remédios, e qualquer coisa, me liga. Tive alta no mesmo dia.

E nada de diarréia.

Voltei pra maratona de cama. ‘Vou aproveitar que a dor tá leve e vou tentar dormir cedo.’

..

Terça-feira, 7 da manhã, acordei com o telefone vibrando – minha mãe, pra saber como eu tava -, e outras vibrações. Bem mais.. urgentes.

E então, amigos, ela veio. Massiva. Desidratante. Urgente. Impiedosa.
Aguada. MUITO aguada.

Resumindo, mais um dia de cama.
E, ‘cama’, entendam, um modo delicado de me expressar.

..

Saldo dos três dias de internação domiciliar: Amizade Colorida, Os Pinguins do Papai, Loucuras na Madrugada, Cilada.com, Sin City, Mensagem pra Você, Mr. Holland – Adorável Professor, Esquadrão Classe A e A Rede social.

Medicina, que nada, amigos. Se eu tivesse ficado quietinho em casa, tava curado.

O que salva vidas mesmo é a indústria cinematográfica.


l: The Beatles – I don’t want to spoil the party.


close your eyes, holy roller novocaine.

janeiro 1, 2011

2010 não foi um ano de todo ruim, sabe?
teve coisa pesadíssima, triste, cansativa. teve doença, susto e correria. mas teve muita coisa legal acontecendo, também.
já, 2011.. sei lá, acho que vai ser bom. mas não dá pra garantir, né?

até pensei em pedir uma prorrogação até março, pra ver se valia a pena trocar de ano mesmo.
mas a globo já tinha comprado os direitos da contagem regressiva de copacabana, e acho que eu ia me meter em problemas legais.

..

daí, esse ano, eu decidi que ia tentar fazer uma resolução de ano novo.

nunca fui muito dessas coisas, e muito menos de levar à sério essas promessas que  a gente faz em comemorações alcoólicas. mas, vá lá, pode ser uma coisa interessante. e me pus a pensar.

minha primeira resolução de ano novo, ali pelas 8 da noite, foi ‘em 2011, eu vou lavar toda a louça suja que tá na pia desde outubro’. quando, tentando cozinhar uma semi-ceia, eu vi que o meu balcão da pia não tinha nem espaço pra acomodar a fôrma em que eu tava temperando a carne.

(na verdade, sendo otimista. óbvio que também não tinha garfos, pratos, copos, e, muito menos, fôrma limpa pra assar a carne.)

parei pra pensar na seriedade da resolução.
e concluí que eu não tou pronto pra assumir essa tarefa.
a regra das resoluções é não prometer o que não se pode cumprir, i guess.

baby steps, dude. baby steps.

..

onze e pouco da noite, jantando na sacada com um amigo, comecei a ouvir fogos de artifício e pessoas gritando e se cumprimentando.

- que horas são, cara?
- no meu relógio, 23:58..
- no meu, 23:59.
- e agora?
- acaba o teu cigarro, que a gente já se cumprimenta pra garantir.

uns 3 minutos depois, ele acabou o cigarro e a gente se cumprimentou, entusiasticamente. 2011 chegou quando a gente quis.

..

não seria legal se a gente pudesse fazer o nosso próprio tempo?

foi o que eu achei. e pensei ‘taí, uma boa resolução – em 2011, eu vou ser mais dono do meu tempo.’

pensando melhor, eu concluí que isso é besteira. não tem como controlar o tempo. nem o nosso. sempre se tem alguma coisa pra fazer, alguma tarefa pendente, e sempre se chega à conclusão que ou a gente faz o que deve, ou o que quer. dá pra chegar num meio termo, mas sempre fica aquela sensação de tarefa inacabada.

(como o meu tcc, que eu deveria tar fazendo as we speak)

outro dia, atarefado pra caramba, eu me peguei pensando, bem subitamente, que finalmente me caiu a ficha daquela frase bem famosa do john lennon.

‘life is what happens to you while u’re busy making other plans’.

parei pra pensar que eu tou com 26 anos. já vivi uma parcela bem considerável da minha vida. e, desses 26 anos, pouquíssimos foram planejados. eles foram, na verdade, acontecendo – seis anos eu tava na faculdade, outro na arquitetura, outros dois na residência.. e tudo que aconteceu no meio do caminho eu fui fazendo nas brechas disponíveis.

entende?

pode parecer óbvio pra quem tiver lendo isso, ou, bem menos profundo do que foi pra mim. mas ali, naquele momento, bem ali, eu me dei conta que a vida tá passando. eu fico esperando chegar o momento de ‘tá, fiz o que tinha que fazer, então AGORA pode começar, vida’. mas não é assim. a vida tá passando. os fins de semana que eu passo em casa meio chateado, pensando ‘tá, hoje eu não vou fazer nada, porque eu tou cansado da semana e tenho plantão amanhã’, já são a vida.

ou, pior, quando eu NÃO tiver essas preocupações, eu já vou tar bem mais velho, e não vai ser a mesma coisa.

ou seja, essa não é uma boa resolução de ano novo. controlar o tempo não é uma opção.

..

lá pelas tantas da madrugada, mesa cheia na sacada, 4 fumantes ao redor de um cinzeiro. e dois deles reclamando do cinzeiro cheio.
e eu, naquela rebeldia dos embriagados, gritei ‘pois a minha resolução de ano novo vai ser não esvaziar mais nenhum cinzeiro, só de pirraça!’

o que não conta, porque eu já não esvazio cinzeiros.
quer dizer.. uma vez a cada três, quatro semanas, quando os cigarros começam a cair pra fora e fazem uma sujeirada na mesa.

..

hoje de manhã, acordei com uma PUTA ressaca de cigarro.
fumei demais ontem, pra variar.

cabeça latejando, do lado esquerdo, seio frontal. clássica. empapado de suor, gemendo, MAL.

fui me arrastando até o banheiro, lavei a cara e vi o retrato deprimente que me olhava de volta pelo espelho. encarei aquele reflexo por uns 30 segundos. como se eu tivesse tentando entender a dor, resolver o problema com o olhar. era um misto de indignação, dor, e desespero.

(não, amigos. nem pensem nisso. a minha resolução não foi ‘em 2011, eu vou fumar menos’. nem cogitei.)

abri o armário de remédios, e quase não acreditei quando não encontrei nenhum dos componentes do coquetel.

eu, que tenho essas ressacas de cigarro frequentemente, já tenho separadinha uma mistura de remédios pra aliviar a coisa toda. toragesic, paracetamol, neosaldina, e naldecom. e, coincidentemente, todos tinham acabado.

eu quase beijei o frasco de novalgina xarope que eu encontrei no fundo do armário, quando o pânico já tava batendo.

tomei a dose habitual, liguei o ar condicionado, levantei a cabeceira da cama, fechei as cortinas e peguei a garrafa de dois litros de água pra deixar do lado da cama. e, milagrosamete, funcionou. mesmo. até sonhei, depois.

quer dizer.. até o celular começar a tocar irritantemente e eu concluir que não ia conseguir dormir por muito mais tempo.

..

tarde de sábado preguiçosa. vi pedaços da posse da dilma, vi pedaços de um filme ruim, comi pedaços de goiaba. tomei iogurte que nem uma criancinha, me babando todo. trabalhei um pouco no tcc, sob protesto. fiquei bancando o intermediário entre dois amigos por mensagem. concluí uma sete vezes que tinha que fazer alguma coisa pra passar aquela leseira, e desisti umas nove.

quando, enfim, resolvi ir no posto, devolver uns filmes e tomar um sorvete.

eis que, no carro, ouvindo música, paradinho no posto, tive a minha epifania.

‘em 2011, eu vou comer tablito que nem gente grande.’
chega de ir tirando a casquinha, o sorvete, e comer o chocolate separado. abocanha o negócio de uma vez.

and i did.

e sabe que é bom?

é, amigo.. 2011 promete.

 

l: kings of leon – holy roller novocaine.


fazendo amigos.

dezembro 8, 2010

só pra dividir com a galeris a minha cartinha de recurso contra a arguição curricular do hcpa.
(pensei SERIAMENTE em mandar o poeminha como recurso, mas achei que eles não iam levar tão na esportiva assim)

..

Gostaria de ser informado quais critérios foram utilizados para escalonar os candidatos na argüição curricular. Por motivo de aprendizagem, sobretudo, para futuras entrevistas – visto que, tendo tirado nota 2, dos cinco pontos possíveis, creio eu ter desagradado a banca de forma que julgo importante, e seria-me útil tomar conhecimento para não repetir outras vezes.

Eu estava doente no dia da entrevista, febril, e, ainda assim, tomei um banho, fiz a barba, penteei meus cabelos e vesti meu melhor terno. Cuidei do alinho do nó da gravata, e conferi se a camisa estava passada. Acredito que minha aparência estivesse, no mínimo, adequada para ocasião tão importante.

Na entrevista, fui pontual, cordial, e me expressei de forma que considero clara. Minha linguagem foi adequada, minhas respostas foram precisas ao que me foi perguntado. Admito, achei que me foi perguntado muito pouco sobre o currículo – sendo essa entrevista uma ‘arguição curricular’, conforme expressado no edital. Sendo que, sobre meu currículo, tenho a consciência limpa, já que obtive nota 4,75 sobre 5 – o que me leva a crer que minhas metas acadêmicas foram atingidas de forma satisfatória para a banca julgadora.

O que não me faz sentido é, portanto, justamente isso: se tirei 4,75 em critérios objetivos sobre o currículo, como posso ter tirado 2 sobre a argüição do mesmo? Respondi, sobre tal, tudo o que me foi perguntado. Acreditam não ser meu este currículo? Acreditam que eu tenha forjado alguma coisa? O que justifica essa nota?

Na entrevista, fui solícito e cordial. Respondi, inclusive, perguntas que me geraram constrangimento, como quando fui indagado sobre a nota que eu havia tirado na prova objetiva. E, diga-se de passagem, respondi. Admito que tive certa dose de espanto ao saber que a banca examinadora, que, ao contrário do que imaginava, estaria alheia à pontuação individual dos candidatos na prova objetiva – a fim de manter imparcial o concurso, como se é de esperar de uma grande instituição como o Hospital de Clínicas de Porto Alegre – sabia a nota de todos os candidatos concorrendo à vaga da residência em questão.

Sempre tive muito respeito pela instituição. Considero o HCPA como hospital de excelência, e parte dessa excelência se mostra na imparcialidade em concursos públicos. Recebi essa nota com grande constrangimento. Infeliz coincidência ou não, vi também que a nota das duas candidatas que cursaram a faculdade e residência no HCPA foi 5 na mesma entrevista, e a nota das outras duas candidatas que não o fizeram foi 2 e 1,25

Obtive no quesito currículo, modéstia a parte, uma das melhores notas do concurso. Eis, então, o meu choque, ao ver o contraste ao ter obtido, no outro extremo, uma das piores notas do concurso na entrevista.

Como já disse, por motivos de aprendizado. Creio que uma instituição que gradua uma ‘argüição curricular’, assim chamada, com notas tão díspares, deixa claro suas preferências quanto aos residentes. Gostaria, então, apenas de saber, como posso ter tanto desagradado a banca examinadora. Entenderia perfeitamente favorecer por uma pequena, mas justa, diferença, pessoas que já tiveram contato com os examinadores, pessoas que os examinadores consideram bons profissionais. Isso, sim, acontece em qualquer lugar.

Mas, receber nota 2, enquanto outros recebem nota 5, deixa bem claro para mim que estou muito aquém de suas expectativas. Aguardo, então, motivos, para que possa me portar melhor em entrevistas futuras.

Desde já, grato.

..

fazendo amigos, pessoal!

 

l: the black keys – act nice and gentle.


baby, you’re the best.

dezembro 8, 2010

amigos do hcpa:

o que será que, em mim, lhes desagradou?

será meu sorriso maroto
meu jeitinho de garoto
ou meu cabelinho escroto?

meu jeito de responder suas perguntas, alegre
ou ter comparecido à entrevista sob 39 graus de febre?

provavelmente, não gostaram do fato de eu ser um cirurgião
ter experiência com a faca e o queijo na mão
no melhor sentido da palavra, um varão
com esteto no pescoço e prancheta na mão

talvez, prefiram os ginecologistas
ou tenham algo contra minha formação médica marista
ou, simplesmente, antes de dar as notas, tenham fumado um cigarrinho de artista

seja lá a explicação, se é que exista
tirem-me do peito essa aflição
como puderam me dar DOIS na entrevista?!

decerto, querem me ver no conceição.

 

e um abraço BEM APERTADO pra vocês.

 

l: 8mm – nobody does it better.


desafogo.

novembro 26, 2010

pede perdão
pela omissão
um tanto forçada

mas não diga nada
que me viu chorando
e pros da pesada
diz que eu vou levando

vê como é que anda
aquela vida à toa
e, se puder
me manda uma notícia boa.

 

‘it’s been a long, long november’.
e, COMO eu preciso de alguma notícia boa.

 

l: chico buarque – samba de orly.


so i start a gunpowder plot from my bed.

novembro 1, 2010

curtinha, pra não deixar a minha musa inspiradora, a noite de domingo, passar batida:

..

‘bem que podia passar V de Vingança no domingo à noite, ressaca pós-eleições, num gesto simbólico, pra inspirar o povão se o PT ganhar de novo’, pensei eu nessa semana.

ligo agora na TNT, e, pra minha surpresa, TÁ passando.

juro.
chills, mesmo.

acho que os programadores andam com as mesmas idéias anarquistas que eu.

..

quem entendeu o espírito da coisa, entendeu. o comentário, e o teor do filme, são assustadoramente adequados.

e, quem não entendeu, vá assistir e filosofar um pouco.

..

mas que ninguém estranhe quando eu aparecer fantasiado explodindo o cristo redentor, ou num trenzinho vitaminado rumo ao palácio da alvorada.

‘remember, remember, the 5th of november
the gunpowder, treason and plot;
i know of no reason, why the gunpowder treason
should ever be forgot.’

..

mais 12 anos, companheiros :/

 

 

l: the rolling stones – street fighting man.


boy talk.

outubro 28, 2010

contrastando com meu post de um bom tempo atrás, ‘aquela tal malandragem não existe mais’ ( http://wp.me/p8Ejd-12 )..

ontem fui cortar o cabelo e lembrei de uma cena engraçada.

no post em questão, eu comentava que não se fazem mais borracharias como antigamente.

pois é. partindo da água pro vinho, ainda bem que os cabelereiros também tão mudando.

..

eu corto o cabelo num salão aqui perto de casa.
tá, eu sei. cortar o cabelo num ‘salão’ é meio gay. mas, convenhamos, é lá que o cabelo sai bem cortado.

sempre corto com um cara bem gente boa, o gilson. substituto atual do oswaldo, lá de pelotas, que, além de cortar o cabelo muito bem, sempre me deixa dando risada e feliz quando eu saio de lá.

pois bem. nas férias do gilson, ano passado, eu andei cortando o cabelo com o substituto dele, um carequinha bem legal que, por mais que eu force, não vou lembrar o nome agora.

e o carequinha é.. bem.. digamos, NÃO o que se esperaria de um cabeleireiro.

a gente passava o tempo todo falando de mulher. assuntos sobre mulher que enrubeceriam mulheres, na verdade. no meio de um salão de beleza.

era uma sensação muito engraçada. ali, no meio do salão, aquele antrinho que as mulheres tem pra ter seu dia de princesa.. e a gente falando putaria, direto. era uma mini-retaliação ao futebol feminino e aos ‘pára de olhar pra bunda daquela mulher, thiago!’ que a vida nos impõe. era um ato heróico.

e, nessa época, eu me respaldei de coragem pra começar a levar a vip pra ler na sala de espera.

enfim. um dia, ele viu a minha vip em cima da mesa, parou de cortar o meu cabelo, e começou a folhear. ficou louco.

olhou pra um lado, olhou pro outro, e abriu uma gaveta.
e me passou uma sexy.

‘olha essa bunda, cara. olha essa bunda. vi a capa, e tive que comprar.’

e eu olhei.

era demais, mesmo. era uma dessas famosinhas, que não deram muito certo e acabaram na sexy. sem grandes relevâncias pro assunto. o simbolismo da coisa, isso sim, era muito relevante. uma sexy num salão de beleza. isso deveria ser proibido – acho, inclusive, que é. ponto pros homens. uma pequena vitória, um triunfinho.

‘fica pra ti.’

sério?

era sério. fiquei.

‘é que a minha namorada tá chegando aqui daqui a pouco. se ela me pega com isso..’

ah, NÃO!

serio, a minha cara murchou na hora. não deu pra evitar. aquele transgressor, aquele carequinha-meu-herói, o revolucionário.. era um pau-mandado.

eu levei a revista, mas acho que levei um pouco do orgulho dele junto aquele dia. não foi mais a mesma coisa.

uns tempos depois, ele desapareceu do salão. voltou o gilson, voltaram os papos divertidos.. mas nunca mais voltou o clima de putaria no salão. conversas sobre ceras e gelzinhos, sobre ‘cabelo que amassa com a touca do bloco’, mas nunca mais a bunda da tamara kehrwald (aí, ó, lembrei!)..

..

eu tenho certeza que esse carequinha ainda deve tar botando pra fuder em algum salão brasil afora. um espírito encoleirado, restrito, mas cheio de boa-intenção. detonando o rock’n roll.

borracharias, mirem-se no exemplo dos salões de beleza.

..

bom, não se pode ganhar todas.
e eu ganhei uma sexy, pelo menos.

 

l: the beatles – revolution.


morre uma lenda.

outubro 26, 2010

macacos me mordam, batman!
FUDERAM com o takedo.

..

sem almoço, entediado, e com vontade de mimos peri-provas, chamei a júlia pra ir jantar no takedo hoje. encher a cara de sushi.

e, pra minha surpresa, deveria não ter ido.

hoje, logo HOJE, começou o ‘esquema novo’ deles. o famoso buffet, delicioso, farto.. morreu.

..

logo na entrada, uma hostess simpática veio deixar um cardápio.

- buffet ou a la carte?
- buffet, claro.
- tá. o nosso buffet, como era antes, não tem mais. agora a gente tá fazendo uma apresentação diferente..

blá, blá, blá.

o buffet deles, antigamente tão bom, agora é uma mistura de daimu e cléber.
com tudo que eu não gostava no daimu e no cléber.

tem um monte de entradinha, tá mais ‘elegante’.. e, depois, vem um prato monstruoso com umas 5 ou 6 variedades. um exagero.

tem a desculpa de ter um cardapiozinho resumido pra poder escolher o que quiser, fora o que vem na mesa – a única justificativa deles de ainda chamar aquilo de ‘buffet’. problema é que, ao pedir um sabor específico, vem um pratinho cheio.

e a desculpa deles, original, era ‘evitar o desperdício’.

enfim. pra comer um tipinho específico, tem que pedir. dá pra pedir pra vir poucos, mas não é a mesma coisa, sabe? não tem mais aquilo de olhar um sushizinho que pareceu simpático no buffet. provar uma coisa nova. comer um ou dois de cada. não, não. agora, o buffet exige planejamento.

(..logo eu, que fui pro buffet do takedo pra fugir de tanto planejamento pras provas de residência!)

além disso, que que acontece? tu gostou de um tipo específico, tua namorada não. tu fica ali comendo, e ela fica esperando tu acabar. aí vem outro. ela come, tu fica esperando.

eu fui comer o primeiro sashimi depois de quase MEIA HORA de refeição.
buffet o meu OVO.

..

passa o tempo, e os motivos reais começam a aparecer.
‘problemas no fornecimento de lula e atum’, diz o garçom.

a lulinha deles defumada era uma das coisas mais gostosas que eu já comi na vida, poxa. e agora, não tem mais.

..

enfim. morre uma lenda.
o lendário buffet do takedo.

e, segundo fontes seguras, veio pra ficar. sem planos de voltar ao esquema antigo.

ah. e o preço, que já era caro, ACHO que aumentou.
claro, agora eles são um ‘sushi gourmet’.

PORRA.

..

até comentei com a hostess, que, no final, veio, toda simpática, de novo, perguntar se a gente tinha gostado.

ela não seguiu muito simpática quando eu e a júlia começamos a dizer porque a gente não gostou. tá gostoso, mas não é mais o takedo.

enfim. não volto mais.

..

e sem piadinha final.

com assunto sério, não se brinca.

 

l: the black keys – things ain’t like they used to be.


playlistism.

outubro 20, 2010

don’t drink the water, you little thing. it’s quite a time bomb.

actually, you might die trying.
and we’ll all lie in our graves, besides minarets, just for tripping billies. not the joyride u expected, no smooth rider today. no louisiana bayou for u, hon’.

but.. if we do, please – shake me like a monkey. times seven.
..no, wait. that’s just the cornbread speaking.

(eh hee! i did it again!)

..

já diria o profeta jamé: foi um investimento.

muito prazer. thiago.
i believe we weren’t introduced before.

 

l: ..
(well, wouldn’t THAT be a spoiler? .))


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