Arquivo para Outubro, 2008

prm em corte & costura.

Outubro 29, 2008

oi.
meu nome é thiago, e, quando eu crescer, eu quero ser cirurgião.

..

a não ser, claro, que alguém descubra pra mim onde tem algum programa de residência médica pra ser o coringa.

mas que avise rápido, porque os prazos pras inscrições já devem tar acabando!

 

l: gilberto gil & jorge ben – filhos de ghandi.

mantras.

Outubro 12, 2008

em épocas de crise, todo mundo reage do seu jeito.

alguns, recorrem à religião. outros, aos amigos. alguns à família, professores, psiquiatras ou aos astros.

já, eu, busco a minha motivação nos temas de desenhos animados.
explico:

tomemos como exemplo inicial o tema de speed racer.

estou atrasado nos estudos, em relação a muitos candidatos?
‘he’s gaining on you sou you better look alive!’

portanto, hora de dar um gás final nos estudos, certo?
‘he’s off and flyin’ as he guns the car around the track!
he’s jammin’ down the pedal like he’s never comin’ back!’

e o futuro incerto que vem pela frente? não sejamos negativos!
‘adventures waiting just ahead!’

tá, mas será que vai dar certo?
‘and when the odds are against him and there’s dangerous work to do..
you bet your life speed racer will see it through!’

por fim, gritinhos inspiracionais. mantrinhas, para serem repetidos frente ao espelho.
omm. go, speed racer, go. go, speed racer, go. omm.

..

’scooby-doo, where are you?’  também tem seu valor.
tá na hora de estudar. não fuja da raia, rapaz.
’scooby-dooby-doo, where are you?
we got some work to do now!’

mas o que fazer de especialidade na residência, afinal?
‘you know we got a mystery to solve,
so, scooby-doo, be ready for your act – uh-uh uh-uh..
don’t hold back!’

lembram que eu já disse que me mimo quando faço meus afazeres direitinho?
‘and scooby-doo, if you come through
you’re going to have yourself a scooby snack!
that’s a fact!’

mensagem motivacional, por favor:
‘you’re ready and you’re willing.
we can count on you, scooby-doo!’

..

pra quem acha que eu tou por baixo, me considerando um ‘un-deeerdooog’..

‘if anyone dares to risk my ‘fisk’
it’s ‘boff’ and it’s ‘wham’, un’erstan’?
so, keep ‘good be-hav-or’
that’s your one life saver
with popeye, the sailor man!’
 
..

a mensagem mais inspiracional de todas, na verdade, acaba vindo dos flinstones.
mas, no caso, cantada pelo frente!, e não é a música-tema. mas serve do mesmo jeito.

‘when you are unhappy, the devil wears a grin
but oh, he starts to run when the light comes pouring in!
i know he’ll be unhappy ’cause I’ll never wear a frown..
maybe, if we keep on smiling he’ll get tired of hanging ’round!
if I forget to say my prayers, the devil wears a grin.
but he feels so awful awful when he sees me on my knees..
so, if you’re full of trouble and you never seem to win,
just open up your heart and let the sun shine in!
so let the sun shine in, face it with a grin!
smilers never lose..
and frowners never win!

..

e, por fim, pros momentos de comemoração – que, certamente, depois disso tudo, virão..
o jeito é apelar pro ren & stimpy.

‘happy-happy, joy-joy
happy-happy, joy-joy
happy-happy, joy-joy-joy!’
 ..

hoje, bem cansado. pós-pedcurso do joca – com discurso de chorar no final -, pós-intensivão do medcurso. e-mail desabafante pra turma, mais agressivos do que deveria ou gostaria – mas, necessário. eu mereço um scooby snack.

pode deixar.

daqui a pouco, eu levanto da cama, sacudo essa deprê e vou encontrar o pessoal em algum boteco. e tudo vai ficar melhor, eu garanto.

os desenhos animados também já me reservaram a trilha sonora pra pilhar e sacudir a poeira.

daqui a pouquinho, eu boto pra tocar a todo volume uma..

 

l: reverend horton heat – johnny quest theme / stop that pidgeon! (from dastardly & mutley in their flying machines).

(e me ARRASTEM pra casa! .)

a saga da música de formatura – finais.

Outubro 11, 2008

e, eis que chegamos às finais.
desconsiderem o número. nessas últimas semanas de muitas opções, algumas entraram na lista atalhando posições.

as finalistas eram:

dandy warhols – bohemian like you
electric light orchestra – mr. bluesky
the killers – all these things that i’ve done
the strokes – last nite
vinícius de moraes – como dizia o poeta

mas, meus amigos, nenhuma delas chegou lá. todas faltaram com aquele ‘algo mais’.

então, finalmente..

 

l: muse – knights of cydonia.

(a partir do solo ESTRONDOSO de guitarra, claro)
(eu já vejo a cena. as meninas, com seus cabelinhos chapeados, girando as cabeças freneticamente. os rapazes pulando e balançando as cabeças pra cima e pra baixo, com as mãos em sinaizinhos demoníacos. outros, com suas air guitars em punhos, levando no ritmo. vai ser lindo.)

(mas, ainda assim, vocês vão ter que estar lá pra ver.)

a place to call my own.

Outubro 4, 2008

o ritrovo é o meu bar.
roubado, mas é meu.

certo, vamos admitir. o ritrovo é um boteco roubado, mas com muito orgulho. foi descoberto pela ala feminina da turma, e apresentado inocentemente. e, assim mesmo, inocentemente, foi tomado pela praga dos estudantes de medicina com um quê de alma boêmia.

o ritrovo é o nosso barzinho. não dá pra dizer boteco, porque a mesinha é de madeira, e não de lata. não é o mesmo prazer.

mas, ainda assim, eu, hoje, publicamente, dei um beijo na tal mesinha de madeira.

o nosso barzinho, eu me refiro, é  barzinho da gurizada. meu, do dincao, do lardi, do guma. da atm 2008.
e, claro, do marcelo. senão, não teria a mesma graça.

hoje, pensando bem, posso dizer que abandonei quase que definitivamente a vida noturna, e me entreguei à vida boêmia. com orgulho, muito orgulho. orgulho de, sexta e sábado a noite, nem ter mais que pensar ‘onde vamos?’. basta um ‘a que horas?’

é um bar pequeno, frequentado, basicamente, sempre pelas mesmas pessoas. como um barzinho pra chamar de seu deve ser, entende?

é barzinho de chegar gritando, chamando o dono pelo nome.

de, apesar de tar já de portas fechadas, ter a liberdade de abrir, plena madrugada, e ser recebido com um sorriso no rosto e uma polar geladinha. e, na hora de ir embora, ajudar a fechar a porta emperrada.

de cantar em coro, bar inteiro, as mesmas músicas, toda semana. mas cantar, cantar de feliz. rindo, fotografando, se abraçando. desses. e ver a alegria na cara do dono, orquestrando o coral, do alto de seu trono, magnânimo. mestre marcelo, com um sorriso de fazer covinhas, de ver a gurizada feliz.

de conhecer desconhecidos. chegar cumprimentando gente que nunca se trocou uma palavra na vida. ‘mas tá ali toda semana.. vou cumprimentar, pelo menos, né?’

o ritrovo me apresentou the doors, ponto. a gurizada insistia, a maria clara insistia, foi o marcelo que me catequizou. tanto que, hoje em dia, eu não consigo escutar sem associar com o clima boêmio do meu barzinho.

o ritrovo tem a minha mesinha. a minha mesinha, que, hoje, eu beijei. a minha cadeirinha, que, um dia, quando eu for memorável, vai ter uma plaquinha com o meu nome. e, quem sentar ali, vai se sentir obrigado a puxar um brinde a cada meia hora, a acender o isqueiro a cada vez que tocar ‘amigo punk’, a cantar chorando de alegria aquelas músicas de bar, a incentivar polêmica às 5 da manhã. se for plantonista, a ir de virada pra plantões. se for estudante, a ir de virada pra intensivões. se for vivo, a chorar as mágoas passadas e amparar os ombros da mesa inteira.

sabe?

juro, juro. procurei o meu barzinho a vida inteira. e, eis que, por acaso, ele me achou.

o ‘professor’ marcelo já muito me ensinou sobre essa vida. e eu, modestamente, dos meus míseros vinte e quatro anos, tento passar alguma mínima vivência, em retribuição.

professor marcelo, pode ter certeza. 23h, toda sexta ou sábado, pode começar a aula. a patota tá presente.

..

eu ia embora uma e meia, jurei pro lardi.
seis e cinco da manhã, o marcelo teve que pedir pra gente ir embora porque o filho dele ia acordar ele às oito, como sempre.

nove litros de cerveja depois, sem o famoso cachorro-quente da saída – porque o lardi, hoje, renegou – , entrávamos no táxi de volta pra casa. orgulhosos, bem orgulhosos. um recorde pessoal.

saudade de voltar pra casa de manhã diretamente de um boteco, sabe?
bar, digo. bar. desculpa, marcelo. bar.

mas deixa eu chamar de boteco, porque boteco é pros íntimos.
que eu até perdôo as mesinhas de madeira.

 

l: the doors – touch me.
(ténks, marcelão!)