eu. eu watched the watchmen.
(convenhamos, bem previsível que o post de hoje fosse ser sobre isso.)
saí do cinema com uma sensação de frustração, sabe?
gostei, gostei do filme. e, não se preocupem, não vai ter spoilers aqui. mas.. acho que faltou alguma coisa. é a impressão que me deu.
não sei se eu criei MUITA expectativa pra coisa, e decepcionou um pouco.
não sei se foi a sensação de vazio que me bateu ao sair do cinema, um ‘tá, o que eu tanto esperava chegou, e passou’.
pode ter sido a diarréia braba que me bateu meia hora antes do filme, que me fez pensar cinco vezes antes de sair de casa. e, ainda assim, resolvi ir. amanhã tou de plantão, só ia poder ver domingo.
pode ser que eu tenha me sabotado e matado boa parte da graça do filme, na minha ânsia de saber sobre o assunto, lendo partes dos resumos da história na wikipedia.
pode ser a ‘visão lateral’ do filme, que não é a mesma coisa, já que eu cheguei semi-atrasado no cinema e não consegui as cadeiras centrais de que eu tanto gosto.
pode ser que eu esperasse mais visualmente do filme. não entendam errado - o filme é lindo -, mas acho que fiquei comparando demais com o 300, e, apesar de satisfazer, não chega aos pés.
pode ser – e, isso sim, acho que deve ser a real razão – que eu não tenha saído do cinema com um puta sorrisão ‘batmaniano’ do rosto porque.. bom.. como dizer isso sem largar um spoiler?
a história, por si só, não é de sair com um sorrisão no rosto.
eu sabia já que a história original, do alan moore, é considerada uma das 100 melhores obras literárias de todos tempos – a única hq nessa lista. e, realmente, a ênfase não é nos super-heróis. isso que, antes de ver o filme, eu considerava o genial da coisa - é, de fato, uma história de super-heróis, mas que usa super-heróis como meros personagens, pra, enfim, se contar uma história.
tem BASTANTE filosofia incutida no filme. bem mais do que eu pensava. não que não goste, longe disso. só achei que seria mais um filme-pipoca.
e, agora, sei: longe disso.
é um filme pesado, bem pesado. satisfaz. as quase três horas de filme não pesam. mas, admito que quando olhei o relógio ali pela metade do filme, não ‘torci pra tar longe do final’ como eu faço quando tou babando por um filme. foi, basicamente, pra ter noção do horário mesmo.
os personagens são deliciosos. não é daqueles de ’cada personagem daria um filme por si só!’. não, não. é um filme de personagens interessantes, aparentemente profundos, mas bem rasinhos. bem humanos, cheios de defeitos, e eu acho que foi exatamente isso que o alan moore quis. sei que ele pegou emprestados de uma série de hq meia-boca, e talvez daí que seja o charme da coisa. num mundo onde tem tanto super-herói, eles se banalizam. são teoricamente clichês, e só são personagens.
quando vi o elenco, só reconheci dois pelo nome. vendo o filme, reconheci todo mundo, de filmes não tão famosos – ou estrelas não tão estrelas. dois de um filme indicado ao oscar de uns dois anos atrás que eu não lembro o nome, bem normalzinho; o substituto do gerry butler do ‘p.s. eu te amo’; a loirinha diabólica do ‘antes só do que mal casado’ – que, convenhamos, é bem bonita, mas ela tem mesmo que mostrar os peitos e fazer cenas de sexo explícito em TODOS os filmes dela?; e por aí vai. billy crudup azulado, carla gugino envelhecida.. basicamente, isso.
aliás, a crise americana deve tar feia mesmo. gastaram 100 milhões de dólares em efeitos especiais, e o dr. manhattan mexendo os lábios é pior do que muita animação de sessão da tarde.
acho que tou enjoando de filmes de super-herói.
enfim. não saí do filme querendo ser ninguém. saí do filme querendo fumar um cigarro, sério, perimetral afora. pensando.
pensando que, agora, eu não tenho mais o que esperar vibrando pelos próximos meses.
l: the smashing pumpkins – the end is the beggining is the end (watchmen version).
(sabe que até essa música perdeu a graça agora?)