who watches the watchmen?

Março 7, 2009

eu. eu watched the watchmen.
(convenhamos, bem previsível que o post de hoje fosse ser sobre isso.)

saí do cinema com uma sensação de frustração, sabe?

gostei, gostei do filme. e, não se preocupem, não vai ter spoilers aqui. mas.. acho que faltou alguma coisa. é a impressão que me deu.

não sei se eu criei MUITA expectativa pra coisa, e decepcionou um pouco.

não sei se foi a sensação de vazio que me bateu ao sair do cinema, um ‘tá, o que eu tanto esperava chegou, e passou’.

pode ter sido a diarréia braba que me bateu meia hora antes do filme, que me fez pensar cinco vezes antes de sair de casa. e, ainda assim, resolvi ir. amanhã tou de plantão, só ia poder ver domingo.

pode ser que eu tenha me sabotado e matado boa parte da graça do filme, na minha ânsia de saber sobre o assunto, lendo partes dos resumos da história na wikipedia.

pode ser a ‘visão lateral’ do filme, que não é a mesma coisa, já que eu cheguei semi-atrasado no cinema e não consegui as cadeiras centrais de que eu tanto gosto.

pode ser que eu esperasse mais visualmente do filme. não entendam errado - o filme é lindo -, mas acho que fiquei comparando demais com o 300, e, apesar de satisfazer, não chega aos pés.

pode ser – e, isso sim, acho que deve ser a real razão – que eu não tenha saído do cinema com um puta sorrisão ‘batmaniano’ do rosto porque.. bom.. como dizer isso sem largar um spoiler?

a história, por si só, não é de sair com um sorrisão no rosto.

eu sabia já que a história original, do alan moore, é considerada uma das 100 melhores obras literárias de todos tempos – a única hq nessa lista. e, realmente, a ênfase não é nos super-heróis. isso que, antes de ver o filme, eu considerava o genial da coisa - é, de fato, uma história de super-heróis, mas que usa super-heróis como meros personagens, pra, enfim, se contar uma história.

tem BASTANTE filosofia incutida no filme. bem mais do que eu pensava. não que não goste, longe disso. só achei que seria mais um filme-pipoca.

e, agora, sei: longe disso.

é um filme pesado, bem pesado. satisfaz. as quase três horas de filme não pesam. mas, admito que quando olhei o relógio ali pela metade do filme, não ‘torci pra tar longe do final’ como eu faço quando tou babando por um filme. foi, basicamente, pra ter noção do horário mesmo.

os personagens são deliciosos. não é daqueles de ’cada personagem daria um filme por si só!’. não, não. é um filme de personagens interessantes, aparentemente profundos, mas bem rasinhos. bem humanos, cheios de defeitos, e eu acho que foi exatamente isso que o alan moore quis. sei que ele pegou emprestados de uma série de hq meia-boca, e talvez daí que seja o charme da coisa. num mundo onde tem tanto super-herói, eles se banalizam. são teoricamente clichês, e só são personagens.

quando vi o elenco, só reconheci dois pelo nome. vendo o filme, reconheci todo mundo, de filmes não tão famosos – ou estrelas não tão estrelas. dois de um filme indicado ao oscar de uns dois anos atrás que eu não lembro o nome, bem normalzinho; o substituto do gerry butler do ‘p.s. eu te amo’; a loirinha diabólica do ‘antes só do que mal casado’ – que, convenhamos, é bem bonita, mas ela tem mesmo que mostrar os peitos e fazer cenas de sexo explícito em TODOS os filmes dela?; e por aí vai. billy crudup azulado, carla gugino envelhecida.. basicamente, isso.

aliás, a crise americana deve tar feia mesmo. gastaram 100 milhões de dólares em efeitos especiais, e o dr. manhattan mexendo os lábios é pior do que muita animação de sessão da tarde. 

acho que tou enjoando de filmes de super-herói.

enfim. não saí do filme querendo ser ninguém. saí do filme querendo fumar um cigarro, sério, perimetral afora. pensando.

pensando que, agora, eu não tenho mais o que esperar vibrando pelos próximos meses.

 

l: the smashing pumpkins – the end is the beggining is the end (watchmen version).

(sabe que até essa música perdeu a graça agora?)

9 Respostas para “who watches the watchmen?”

  1. Cabelo Diz:

    É, saquei tua frustração. Convenhamos que tu apresentou motivos, até demais, que contribuíram pra isso. Só a diarréia e a visão lateral já seriam suficientes pra foder com a experiência toda. Mas eu vi bem no meio da tela no conforto do cinemark e ainda assim compartilho da tua frustração, mesmo sem a diarréia lateral.

    Mas antes alguns comentários: acho que se era pra ti ler alguma coisa antes do filme, devia ter sido a HQ original. Mais adiante digo por quê. E já pegando teu próximo post, acho que tu deverias ter passado um tempo entre as verdadeiras graphic novels antes de saltar do tio patinhas direto pro cinema.

    Bom, quando eu vou ver qualquer filme baseado em HQ, o meu principal pensamento é sempre o mesmo: “tomara que não tenham estragado”. Se não estragaram a história original, já valeu a pena. Por “estragar” tu sabe o que eu quero dizer: simplificar e mudar a história e deixar o final mais feliz.

    Felizmente a tendência dessa nova onda de filmes de quadrinhos é, pra felicidade dos fãs, ser fiel ao máximo ao original. Graças a Deus reconstruíram o Batman, a partir do Cavaleiro das Trevas do Frank Miller. E falando em Frank Miller, 300 e Sin City também mataram a pau pela fidelidade.

    E falando nisso, realmente tu não deverias ter comparado Watchmen com 300. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Talvez dê pra comparar com Sin City. Mas Watchmen é noir e underground. Já o Sin City, apesar de também ser noir, é bem mais pulp e se aproveita de clichês. Então também não dá pra comparar. Eu teria comparado então com V, que também é do Alan Moore (mas não comparei hehe).

    Mas toda essa lambança é pra dizer que, apesar de achar o filme um espetáculo de imagem e – principalmente – de som (o que é aquela abertura com Bob Dylan?), eu também senti aquele “certo vazio”. Ou melhor, percebi a possibilidade de o público em geral sentir falta de alguma coisa. Eu propriamente não senti falta de nada, talvez por ter lido a HQ antes.

    Um dos fatores que contribuíram pra isso é a compactação da história. O filme original tem 4 horas e o estúdio fez o diretor cortar muita coisa. E o HQ é muito complexo, tem uma porrada de sub-historinhas. Isso poderia confundir quem não conhece o original. Na crítica da Veja, disseram que o filme esqueceu de envolver o público. Acho que ele não esqueceu, apenas não quis.

    O principal motivo mesmo pra esse vazio (finalmente), acho que é o fato de o filme ser absolutamente fiel ao orignal e não seguir a receitinha hollywoodiana de fazer graça com o público. E o cara ja tá tri acostumado com isso. Sempre tem uma lição de moral, sempre no final tudo se resolve. E nesse filme os caras simplesmente explodem milhões de pessoas de uma hora pra outra, tu fica esperando uma reversão daquilo e não tem, é aquilo mesmo, os personagens que tu tá tentando gostar são todos uns filhos da puta. O comediante botava fogo em vietnamita e morreu. O plano maquiavélico de moral distorcida do Ozymandias deu certo. Ninguém impediu nada nos minutos finais. O Rorschach, nosso simpático narrador, morre mesmo. E é isso aí pessoal, hoje não tem final feliz, boa noite, acabou o filme.

    Talvez a gente já esteja tão treinado com o cinema e o formato tradicional das histórias que aquela ali chega ao final e tu estranha. Não tem como sair empolgado porque o final é “decepcionante”, pelo menos pra quem decidiu “torcer pelo mocinho”.

    E é estranho mesmo, mas é um estranho bom! Pra quem olha o filme como obra de arte, é perfeito. Pra quem olha como uma historinha pra se envolver e se sentir bem no final, não rola.

    Acho que pelo tamanho isso aqui conta como um POST em colaboração ao teu blog, e não como comentário. =)

  2. Cabelo Diz:

    E como se não bastasse vou comentar mais:

    Primeiro pedir desculpas pelos spoilers do comentário que estragaram o empenho do Thiago em não botar spoilers no post.

    Mas que isso sirva como um ato inspirado no Watchmen: foi pra não ter final feliz e quebrar com o formato enlatado de post sem spoiler. heh.

    Só quero deixar aqui o meu manifesto contra a supervalorização dos finais de filme. Pq a gente se importa tanto com o final? Um filme pode ser sensacional durante horas e se o finalzinho não deu certo, a gente diz “é uma merda, no final estraga tudo”. Pô, e os bons momentos que tivemos ao ver todo o restante do filme não contam? E aquela cena linda lá do meio? Ela continua linda mesmo que o final seja horrível.
    “O final não vale mais que o início nem o meio. Abaixo a supervalorização do final.”

    Fica aí o manifesto.

  3. Cabelo Diz:

    Ah tem mais uma coisa.

    Do jeito que o filme foi fiel, impossível o Alan Moore não ter gostado. Ele diz que nem vê, mas é certo que o pessoal manda um box personalizado pra ele pelo correio em embalagem discreta. Que ele assiste escondido no porão e chora de contentamento.

    Depois sobe a escada, tranca a porta e vai dar uma entrevista vociferando contra o mainstream. heheheh.

    E dá uma olhada em “Lost Girls”, a última do Alan Moore. Sininho, Alice e Dorothy em aventuras lesbo-eróticas.

    Ah, e no cinema vem aí The Spirit, obra do Will Eisner e filme de Frank Miller, e também Wolverine.

    Agora é sério, fui.

  4. Cabelo Diz:

    E o comediante parecia que tava usando uma máscara de Robert Dawney jr.

  5. Adrian Diz:

    Heil to the king!

    Sério, ir pro cinema pra ver um filme feito a partir de um HQ do frank miller e esperar filme-pipoca?! tsc, tsc, tsc.
    O filme é uma puta ironia com o estereótipo do super-herói. Até o mais inumano deles tem defeitos e foge dos problemas pra fazer artesanato em Marte. Aliás, qto a boca do dr.manhattam (o cabelo ta dizendo aqui no gtalk pra não esquecer de dizer que ele tbm reparou nisso, mas que o ator tem uma boca estranha mesmo) é parte do personagem a inexpressão: o cara é pura energia, ta cagando pra humanidade, é minimamente humano, quase um dr.spock. Só perde a compostura no fim. Aliás se reparares nos olhos dele a expressão dele tá quase toda lá.
    Poderias ter lido a graphic novel antes. Ainda te aconselho, é tri massa. Eu vi o filme sem ter lido ela toda e ainda assim, mesmo sabendo o final, valeu ler. Tem pra baixar no thepiratebay.com . Tem o filme tbm lá.
    Tive que ver outra vez pra reparar em algumas coisinhas daquela sequência inicial cheia de ironias da realidade paralela e no que aparece nas telas do paredão do Adrian.

    Bueno amigófilo, quanto ao vazio ao final do filme tô contigo. Não sobram role models pras criancinhas e o cigarro é o único alento (uehuae). Aguardo ansiosamente o directors cut que faço votos virá em breve quando lançarem o dvd que eu vou baixar, é lógico.

  6. Adrian Diz:

    ih, eu confundi os moços, “…HQ do Allan More…”.

  7. Adrian Diz:

    tsc, tsc, tsc pra mim

  8. tgbsilva Diz:

    porra, sub-textos!
    massa :)

    só complementando:

    1) o ator que faz o comediante, na vida real, parece mesmo o robert downey jr.; a diferença é que, nos filmes anteriores, o cabelo dele era bem diferente. pro filme, curiosamente – ou ‘advertisingmente’ -, deixaram ele, sim, igualzinho o dito-cujo. eu mesmo, vendo os trailers, sempre pensei que fosse ele fazendo uma ponta.

    2) nunca, jamais, fui pro cinema esperando do watchmen um filme feliz. a minha definição de filme-pipoca é um filme de ver colado na cadeira, mascando pipoca e canudo aflitamente. eu sei, é diferente da definição convencional – definição que eu conheci num making-of sobre o independence day, teeempos atrás -, que é uma megaprodução direcionada pra todos os públicos, sem grandes preocupações com o conteúdo.

    3) não li as hq’s antes por um motivo que, com certeza, não vai ser bem recebido: eu prefiro cinema do que revistinhas. eu li o código da vinci antes, e achei o filme uma merda quando vi. eu vi o alta fidelidade antes, e achei o livro mediano quando li. ou seja, a primeira experiência com uma história, pra mim, tende a ser a mais impactante; preferi guardar o watchmen pra ser swapped off my feet visualmente, o que eu já sabia que ia acontecer, do que ‘queimar’ a história com as hq’s. foi justamente o que comentei: o pouco que li de spoilers sobre a história me mataram o filme. eu sei que os filmes não são fiéis, eu gosto de hq’s; mas nada como a movie magic. agora, tendo assistido, nada me impede de ler. ando procurando as hq’s impressas, mas não encontro.

    4) e, pra finalizar, com trocadilho e tudo: julgar uma experiência pela conclusão é coisa que eu não faço. claro, interfere, mas não define a cousa toda. já tivemos a conversa sobre a supervalorização da ejaculação?

    abraçuxos!

  9. Cabelo Diz:

    é thepiratebay.org e não .com

    na livrariacultura.com.br tem todos os hqs de watchmen (que sao 12) em um volume unico.

    e lê ‘a grande arte’. AGORA.


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