cotidiano.

Abril 16, 2009

sabe..
eu acho que anda faltando chico na minha vida.

antes, tinha mais. bem mais.

me peguei ouvindo cordel do fogo encantado hoje no trânsito e redescobrindo poesia, como se fosse a primeira vez que ouvisse. e achei tudo tão bonito, tão intrincado – as rimas, o manejo das frases, a seleção de palavras, coisa e tal.

faz falta, acho.

uma fossa com bossa, que saudade!
papos com cachaça, risadas entre baforadas, olhadinhas de canto de olho.

bons tempos de conversas com o vininha, bons tempos de samba e amor até mais tarde. forçando a memória, bons tempos, até, de quits indiretos, letrinhas coloridas e piscadinhas de um olho só.

mas você só samba com ele e diz que é sem compromisso, veja só.
e quando pára o samba, bate palma e pede bis.

manja, um passarinho preso na gaiola?
mais, quero mais.

pedro não sabe, mas, talvez, no fundo, espere alguma coisa mais linda que o mundo, maior do que o mar.

mas, pra que sonhar, se dá um desespero de esperar demais?
pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro, pobre e nada mais.

tempos de ‘me esquenta, porque o cobertor é curto’.
sem falar nas marcas de amor nos nossos lençóis.

mas, deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa.
e, qualquer desatenção, faça não.

meu peito, tão dilacerado, anda até com saudade das punhaladas.

mas a gente vai cavando, só de birra, só de sarro
a gente vai fumando, que também, sem um cigarro..

..ninguém segura esse rojão.

..

bom.. acho que vou dar uma embebedada. tchau.
com a leve impressão de que já vou tarde.

aquele abraço pra quem fica.

 

l: chico buarque – morena de angola.

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