contrastando com meu post de um bom tempo atrás, ‘aquela tal malandragem não existe mais’ ( http://wp.me/p8Ejd-12 )..
ontem fui cortar o cabelo e lembrei de uma cena engraçada.
no post em questão, eu comentava que não se fazem mais borracharias como antigamente.
pois é. partindo da água pro vinho, ainda bem que os cabelereiros também tão mudando.
..
eu corto o cabelo num salão aqui perto de casa.
tá, eu sei. cortar o cabelo num ‘salão’ é meio gay. mas, convenhamos, é lá que o cabelo sai bem cortado.
sempre corto com um cara bem gente boa, o gilson. substituto atual do oswaldo, lá de pelotas, que, além de cortar o cabelo muito bem, sempre me deixa dando risada e feliz quando eu saio de lá.
pois bem. nas férias do gilson, ano passado, eu andei cortando o cabelo com o substituto dele, um carequinha bem legal que, por mais que eu force, não vou lembrar o nome agora.
e o carequinha é.. bem.. digamos, NÃO o que se esperaria de um cabeleireiro.
a gente passava o tempo todo falando de mulher. assuntos sobre mulher que enrubeceriam mulheres, na verdade. no meio de um salão de beleza.
era uma sensação muito engraçada. ali, no meio do salão, aquele antrinho que as mulheres tem pra ter seu dia de princesa.. e a gente falando putaria, direto. era uma mini-retaliação ao futebol feminino e aos ‘pára de olhar pra bunda daquela mulher, thiago!’ que a vida nos impõe. era um ato heróico.
e, nessa época, eu me respaldei de coragem pra começar a levar a vip pra ler na sala de espera.
enfim. um dia, ele viu a minha vip em cima da mesa, parou de cortar o meu cabelo, e começou a folhear. ficou louco.
olhou pra um lado, olhou pro outro, e abriu uma gaveta.
e me passou uma sexy.
‘olha essa bunda, cara. olha essa bunda. vi a capa, e tive que comprar.’
e eu olhei.
era demais, mesmo. era uma dessas famosinhas, que não deram muito certo e acabaram na sexy. sem grandes relevâncias pro assunto. o simbolismo da coisa, isso sim, era muito relevante. uma sexy num salão de beleza. isso deveria ser proibido – acho, inclusive, que é. ponto pros homens. uma pequena vitória, um triunfinho.
‘fica pra ti.’
sério?
era sério. fiquei.
‘é que a minha namorada tá chegando aqui daqui a pouco. se ela me pega com isso..’
ah, NÃO!
serio, a minha cara murchou na hora. não deu pra evitar. aquele transgressor, aquele carequinha-meu-herói, o revolucionário.. era um pau-mandado.
eu levei a revista, mas acho que levei um pouco do orgulho dele junto aquele dia. não foi mais a mesma coisa.
uns tempos depois, ele desapareceu do salão. voltou o gilson, voltaram os papos divertidos.. mas nunca mais voltou o clima de putaria no salão. conversas sobre ceras e gelzinhos, sobre ‘cabelo que amassa com a touca do bloco’, mas nunca mais a bunda da tamara kehrwald (aí, ó, lembrei!)..
..
eu tenho certeza que esse carequinha ainda deve tar botando pra fuder em algum salão brasil afora. um espírito encoleirado, restrito, mas cheio de boa-intenção. detonando o rock’n roll.
borracharias, mirem-se no exemplo dos salões de beleza.
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bom, não se pode ganhar todas.
e eu ganhei uma sexy, pelo menos.
l: the beatles – revolution.
outubro 30, 2010 às 5:06 pm
Bom, um último comentário rapidinho, porque tenho que sair para… cortar o cabelo.
Vou lá no Dia e Noite, o salão mais tradicional de PoA. Desde que cheguei por essas bandas, quem corta meu cabelo é o Souza. Papos sobre mulheres, futebol, política e historinhas do tipo “naquela vez que eu cortei o cabelo do Chacrinha, em 1978″. ZH ou Playboy na mão, duas fileiras de barbeiros, todos ocupadíssimos com suas navalhas em punho, engraxate na frente do salão com ponto fixo… enfim, barbearia de macho.
E nem me atrevo a pedir um gel ou creme pra pentear. Vai que tomo um tapa na orelha pra deixar de ser fresco…